sexta-feira, 11 de maio de 2007

Poema perdido na trincheira

5:00 da manhã... o sol alemão raia no horizonte
numa trincheira... atras desse monte
repousa um soldado artico
com seu rifle silencioso

Tiro a foto do meu bolso, observo
a foto de minha esposa
e lembro da minha terra, não tão fria
e castigada pelos bombardeios

Ando pelos bosques alemães
olhando os meus companheiros repousarem eternamente
imaginando o choro dessas mães
e o desespero dos pais
voltar para casa? jamais

infelizmente isso já é uma certeza
vejo com clareza
no cano de meu rifle
na bala do primeiro atirador oculto

Seria uma benção
poder guardar um pouco do meu lado são
deitar e partir em paz
apenas me dê uma lapide com "aqui jaz..."

"... mais um soldado
que não morreu alarmado
muito menos espantado
mas sim, conformado..."

Já não como bem há dias
da minha cama nem me lembro mais
e meus amigos apenas como "tais"

me levanto para minha ronda
o som do vento nos pinheiros, parece uma onda
vou caminhando por esse imenso bosque sem fim
que mesmo banhado em sangue,
pode ser a ultima beleza para mim

Por isso aprecio, a neve
os pinheiros
e o clarão que se faz ao longe

Algo quente em meu peito,
e não é meu coração
quente deste jeito não era

Logo percebo que é meu destino
que foi traçado por uma Kar98
então na neve eu me deito
e faço dali meu leito


Que benção...
poder me libertar desta maldição...
me libertar deste capacete... e deste coturno...
me sinto leve... frio...
e tenho... o que mais.... queria... a paz...

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa!
quem é o autor?

Milléo disse...

eu oras

a tia véia do blog disse...

nyaaa
adorei a ultima estrofe ><
ficou otimo ..hehe
mas teria q te conhecer melhor pra entendê-lo mais a fundo..
bjos